PRÉMIO FOTOGRAFIA
Daniel Skramesto ganhou um importante prémio internacional com o seu trabalho fotográfico. Além da escrita provocatória para o mini-burgo que nos abriga, ainda se atreve explícito.
Ai, Ai!... (Esquece o patrocínio do BCP...).
Ver aqui.
ps: almas homofóbicas, abstenham-se. Sugiro, eu...
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
31 de maio de 2005
27 de maio de 2005
A CIBERNÉTICA
Não há tempo para dormir nem para descansar. Mas ela vai nascendo...
De 9 a 30 de Junho espero que muitos caminhos vão dar ao Espaço Atmosferas/Casa Amarela, da rua da Boavista em Lisboa.
Só para os que acreditam na existência de peças que sejam cómicas, dramáticas, absurdas e emotivas... ao mesmo tempo, está a nascer A CIBERNÉTICA...
Não há tempo para dormir nem para descansar. Mas ela vai nascendo...
De 9 a 30 de Junho espero que muitos caminhos vão dar ao Espaço Atmosferas/Casa Amarela, da rua da Boavista em Lisboa.
Só para os que acreditam na existência de peças que sejam cómicas, dramáticas, absurdas e emotivas... ao mesmo tempo, está a nascer A CIBERNÉTICA...
25 de maio de 2005
A CONSPIRAÇÃO DOS SOBREIROS
O grupo (momento de persignação) Espírito Santo, gastou hoje 2 páginas do Público (com este dinheiro montava uma peça de teatro... - suspiro - ou pelo menos poderia pensar quanto custará subornar um funcionário da câmara para que nãose esforce tanto em impedir que se façam espectáculos não-subsidiados...- enfim, adiante...) para "provar a sua boa-fé". Adiante-se já, à laia de aviso, que o anúncio termina com alusão ao destino dos que se atreveram a cutucar a onça: "Pouparemos os seus nomes à irrisão pública que merecem, e confiaremos que os Tribunais, a quem serenamente os entregaremos, farão JUSTIÇA."
Gosto do "serenamente", que não via desde os tempos da Inquisição, onde todos os que chateavam a mona aos poderosos eram entregues "serenamente" à tortura e à morte. As maiúsculas de "JUSTIÇA", também têm o seu quê de poético.
Sobre o caso dos sobreiros "alentejanos", segundo Santana Lopes (na entrevista à RTP 1, manifestou sobre esta questão o seu amor à natureza e "ao Alentejo", que como se sabe, teria de se esticar para tocar em Benavente... Mas a ignorância deste burro-vestido (em sentido restricto) é tanta que nem vale a pena comentar...), lemos um grito de revolta. A mesma que foi sentida em 1975 quando se transformaram nas "vítimas de Abril", como agora é moda dizer-se.
Breve: a coisa terá sido toda útil, maravilhosa para a região e o que são 3000 sobreiros (o previsto) no meio de uma mata com 35000?
Fiquemo-nos apenas com este naco de prosa:
"O projecto PORTUCALE envolve a criação de pelo menos 400 novos empregos. A área de implantação do projecto, anteriormente, dava trabalho a um pastor e um cão durante seis meses por ano e a meia-dúzia de corticeiros de 9 em 9 anos". Para quem não saiba... a cortiça é retirada ALTERNADAMENTE em espaços temporais entre 7 a 9 anos. Ou seja, para 35000 sobreiros seria qualquer coisa como retirar a cortiça a cerca de 5 mil sobreiros por ano. O que era capaz de dar trabalho a um pouco mais de 6 pessoas, todos os anos... Digo eu, contas por alto...
"A água necessária para regar os golfes já instalados daria(...) para regar um campo de milho de 30 hectares (...) A receita de um campo de milho dessa dimensão poderá ser no máximo de 40.000 euros por ano, gerando cerca de 0, 5 (????) empregos ano. Estes valores comparam com uma receita mínima de 600.000 euros/ano na exploração do golfe e com a criação de centenas de empregos permanentes directos e indirectos".
Eu por mim, fiquei convencido. Mais: se houve gente do PP a mexer cordelinhos para que projectos tão altruístas fossem aprovados, Deus e o Papa os protejam. Que se lixe a ecologia e a lei... ora a lei... Que se abata serenamente!
O grupo (momento de persignação) Espírito Santo, gastou hoje 2 páginas do Público (com este dinheiro montava uma peça de teatro... - suspiro - ou pelo menos poderia pensar quanto custará subornar um funcionário da câmara para que nãose esforce tanto em impedir que se façam espectáculos não-subsidiados...- enfim, adiante...) para "provar a sua boa-fé". Adiante-se já, à laia de aviso, que o anúncio termina com alusão ao destino dos que se atreveram a cutucar a onça: "Pouparemos os seus nomes à irrisão pública que merecem, e confiaremos que os Tribunais, a quem serenamente os entregaremos, farão JUSTIÇA."
Gosto do "serenamente", que não via desde os tempos da Inquisição, onde todos os que chateavam a mona aos poderosos eram entregues "serenamente" à tortura e à morte. As maiúsculas de "JUSTIÇA", também têm o seu quê de poético.
Sobre o caso dos sobreiros "alentejanos", segundo Santana Lopes (na entrevista à RTP 1, manifestou sobre esta questão o seu amor à natureza e "ao Alentejo", que como se sabe, teria de se esticar para tocar em Benavente... Mas a ignorância deste burro-vestido (em sentido restricto) é tanta que nem vale a pena comentar...), lemos um grito de revolta. A mesma que foi sentida em 1975 quando se transformaram nas "vítimas de Abril", como agora é moda dizer-se.
Breve: a coisa terá sido toda útil, maravilhosa para a região e o que são 3000 sobreiros (o previsto) no meio de uma mata com 35000?
Fiquemo-nos apenas com este naco de prosa:
"O projecto PORTUCALE envolve a criação de pelo menos 400 novos empregos. A área de implantação do projecto, anteriormente, dava trabalho a um pastor e um cão durante seis meses por ano e a meia-dúzia de corticeiros de 9 em 9 anos". Para quem não saiba... a cortiça é retirada ALTERNADAMENTE em espaços temporais entre 7 a 9 anos. Ou seja, para 35000 sobreiros seria qualquer coisa como retirar a cortiça a cerca de 5 mil sobreiros por ano. O que era capaz de dar trabalho a um pouco mais de 6 pessoas, todos os anos... Digo eu, contas por alto...
"A água necessária para regar os golfes já instalados daria(...) para regar um campo de milho de 30 hectares (...) A receita de um campo de milho dessa dimensão poderá ser no máximo de 40.000 euros por ano, gerando cerca de 0, 5 (????) empregos ano. Estes valores comparam com uma receita mínima de 600.000 euros/ano na exploração do golfe e com a criação de centenas de empregos permanentes directos e indirectos".
Eu por mim, fiquei convencido. Mais: se houve gente do PP a mexer cordelinhos para que projectos tão altruístas fossem aprovados, Deus e o Papa os protejam. Que se lixe a ecologia e a lei... ora a lei... Que se abata serenamente!
22 de maio de 2005
FUTEBOL
1. Mesmo quem não liga nada à coisa consegue perceber que Portugal só tem um clube verdadeiramente nacional. De Lisboa para cima e para baixo; de Portugal a África e ao resto do mundo, esta foi a noite do SLB!SLB!
2. Julgo que foi desmentida a notícia de que Pinto da Costa teria oferecido milhares de contos aos jogadores do Boavista, além de toda a espécie de facilidades futuras, caso ganhassem ao acima referido. Ainda bem que era mentira. Mesmo sabendo o que actualmente se poupa em árbitros estou certo que a prioridade do clube azul é pagar os impostos em dívida. Os milhões de contos em dívida. Só espero que os campeões e os restantes parceiros também se lembrem que a essência do dinheiro é circular nos dois sentidos. Por exemplo, das transacções de jogadores para o erário público.
3. Este é um país actualmente incapaz de produzir seja o que fôr de útil, nem que seja um pensamento. Mas a indústria de cachecóis e cervejas vai de vento em pôpa...
1. Mesmo quem não liga nada à coisa consegue perceber que Portugal só tem um clube verdadeiramente nacional. De Lisboa para cima e para baixo; de Portugal a África e ao resto do mundo, esta foi a noite do SLB!SLB!
2. Julgo que foi desmentida a notícia de que Pinto da Costa teria oferecido milhares de contos aos jogadores do Boavista, além de toda a espécie de facilidades futuras, caso ganhassem ao acima referido. Ainda bem que era mentira. Mesmo sabendo o que actualmente se poupa em árbitros estou certo que a prioridade do clube azul é pagar os impostos em dívida. Os milhões de contos em dívida. Só espero que os campeões e os restantes parceiros também se lembrem que a essência do dinheiro é circular nos dois sentidos. Por exemplo, das transacções de jogadores para o erário público.
3. Este é um país actualmente incapaz de produzir seja o que fôr de útil, nem que seja um pensamento. Mas a indústria de cachecóis e cervejas vai de vento em pôpa...
20 de maio de 2005
NÃO TE MEXAS!
Há uns tempos atrás, um ex-aluno meu contava-me que no munda da publicidade só sobrevivia quem se mantivesse invisível. Dentro de uma empresa, claro. Ocupando uma função menos remunerada, claro. Elogiar as brilhantes ideias também ajudaria, mas ao menos que se não levantassem ondas.
Julgo que o mesmo conceito se aplica à maior parte da sociedade portuguesa. Ninguém se lembre de fazer nada. Muito menos de galvanizar energias em torno de um projecto. De imediato se levantará a entourage para o sufocar; para lhe dificultar a vida; para o denegrir contra toda a evidência.
Fala-se muito em inveja. É verdade. Mas é mais mesquinhez; voo rasante sobre o charco; deleitar nos próprios odores.
As entidades oficiais partilham deste sentimento, cobrindo-se de regulamentos e papéis capazes de retirar o ânimo a Aquiles. Cobardes, são incapazes de manter em ordem a casa de todos, mas mordem com cegueira quando o cidadão cumpridor se apresenta para fazer o que deve.
Este é um país com um cancro de mediocridade espalhado pelo corpo todo. Tresanda nas trevas em que mergulhou já ninguém se lembra quando.
Não, não somos todos preguiçosos, invejosos, maldizentes sem razão. E por mais que tentem nivelar-nos a todos por baixo, ainda assim, alguns vão continuar a criar, a lutar pela justiça, a proteger os mais fracos.
Porque o lodo não pode durar para sempre. Não pode.
Há uns tempos atrás, um ex-aluno meu contava-me que no munda da publicidade só sobrevivia quem se mantivesse invisível. Dentro de uma empresa, claro. Ocupando uma função menos remunerada, claro. Elogiar as brilhantes ideias também ajudaria, mas ao menos que se não levantassem ondas.
Julgo que o mesmo conceito se aplica à maior parte da sociedade portuguesa. Ninguém se lembre de fazer nada. Muito menos de galvanizar energias em torno de um projecto. De imediato se levantará a entourage para o sufocar; para lhe dificultar a vida; para o denegrir contra toda a evidência.
Fala-se muito em inveja. É verdade. Mas é mais mesquinhez; voo rasante sobre o charco; deleitar nos próprios odores.
As entidades oficiais partilham deste sentimento, cobrindo-se de regulamentos e papéis capazes de retirar o ânimo a Aquiles. Cobardes, são incapazes de manter em ordem a casa de todos, mas mordem com cegueira quando o cidadão cumpridor se apresenta para fazer o que deve.
Este é um país com um cancro de mediocridade espalhado pelo corpo todo. Tresanda nas trevas em que mergulhou já ninguém se lembra quando.
Não, não somos todos preguiçosos, invejosos, maldizentes sem razão. E por mais que tentem nivelar-nos a todos por baixo, ainda assim, alguns vão continuar a criar, a lutar pela justiça, a proteger os mais fracos.
Porque o lodo não pode durar para sempre. Não pode.
IN NOMINE...
Para que de uma vez por todas se perceba que o meu nome não é um delírio contemporâneo e muito menos (sorry tias-louras) um desagrado oitocentista, dê-se aqui uma olhadela ;)
Para que de uma vez por todas se perceba que o meu nome não é um delírio contemporâneo e muito menos (sorry tias-louras) um desagrado oitocentista, dê-se aqui uma olhadela ;)
17 de maio de 2005
UM TERÇO DO SALÁRIO PARA O DOBRO DO PREÇO
Os italianos devem ser muito despegados do dinheiro. Só assim se explica que nos mercados as laranjas custassem50 cts o quilo, e os vegetais fossem todos corridos na casa de 1 euro ou menos.
Nós não. Damos mais importância à fruta. Por isso, com ordenados inferiores tabelamos tudo, pelo menos para o dobro.
Os italianos devem ser muito despegados do dinheiro. Só assim se explica que nos mercados as laranjas custassem50 cts o quilo, e os vegetais fossem todos corridos na casa de 1 euro ou menos.
Nós não. Damos mais importância à fruta. Por isso, com ordenados inferiores tabelamos tudo, pelo menos para o dobro.
LISBOA MORTA
O português odeia que lhe peçam responsabilidades. Está feito, está feito. Correu mal? Azarinho!!E toca a andar, meu amigo...
Desde há mais de um ano que somos obrigados a andar com o cartão LISBOA VIVA, no Metro e nos autocarros. Enconsta-se a coisa à máquina e as portas abrem-se ou somos brindados com uma luz de esperança. O meu, resolveu avariar-se. As portas deixaram de se abrir e da luz, nem sinal.
Resolvi ir a uma estação de metro pedir substituição. Erro meu. "Isso tem de ir ter com quem lhe vendeu... Ai foi a Carris??? Ah, então isso é com eles., "Mas experimente a ir ao sítio onde lhe fizeram o passe...". Na ocorrência era no Marquês de Pombal. Que não podiam fazer nada, que fosse até um dos postos oficiais da Carris. "Mas tenho de ir de Metro, até lá, como é que faço?". Que pedisse na bilheteira uma coisa que me abrisse temporariamente as portas. E lá fui pedir. Mas a senhora estava mal disposta e resolveu chamar-me mentiroso, que ninguém me teria dito nada disso, pegou no telefone e confirmou que a delirante era ela, mas que me haveria de dar o mínimo " e por favor". Foram-me abrir a porta do metro, mas sempre discursando que não tinham responsabilidade nenhuma no processo; que vendiam e recebiam parte do dinheiro, mas que responsabilidade era sempre com a outra parte, no caso das coisas correrem mal.
Saí no Rossio, esperei na fila, um velho atendeu-me. Que queria? O passe avariado? Ia-se ver. Precisa de uma fotografia que é para ir tudo para Santo Amaro. Mas eles já têm a minha foto digitalizada... "Mau! Se ele dizia que tinha de ser mais uma fotografia...". E pensando melhor... Devia era apanhar o eléctrico 15 (sem poder usar o passe, claro) e ir eu próprio até Santo Amaro (que fica entre o cu de Judas e Nossa Senhora do Nunca Mais lá Chego). Fui-me embora. Quando descansar, vou tentar de novo.
O português odeia que lhe peçam responsabilidades. Está feito, está feito. Correu mal? Azarinho!!E toca a andar, meu amigo...
Desde há mais de um ano que somos obrigados a andar com o cartão LISBOA VIVA, no Metro e nos autocarros. Enconsta-se a coisa à máquina e as portas abrem-se ou somos brindados com uma luz de esperança. O meu, resolveu avariar-se. As portas deixaram de se abrir e da luz, nem sinal.
Resolvi ir a uma estação de metro pedir substituição. Erro meu. "Isso tem de ir ter com quem lhe vendeu... Ai foi a Carris??? Ah, então isso é com eles., "Mas experimente a ir ao sítio onde lhe fizeram o passe...". Na ocorrência era no Marquês de Pombal. Que não podiam fazer nada, que fosse até um dos postos oficiais da Carris. "Mas tenho de ir de Metro, até lá, como é que faço?". Que pedisse na bilheteira uma coisa que me abrisse temporariamente as portas. E lá fui pedir. Mas a senhora estava mal disposta e resolveu chamar-me mentiroso, que ninguém me teria dito nada disso, pegou no telefone e confirmou que a delirante era ela, mas que me haveria de dar o mínimo " e por favor". Foram-me abrir a porta do metro, mas sempre discursando que não tinham responsabilidade nenhuma no processo; que vendiam e recebiam parte do dinheiro, mas que responsabilidade era sempre com a outra parte, no caso das coisas correrem mal.
Saí no Rossio, esperei na fila, um velho atendeu-me. Que queria? O passe avariado? Ia-se ver. Precisa de uma fotografia que é para ir tudo para Santo Amaro. Mas eles já têm a minha foto digitalizada... "Mau! Se ele dizia que tinha de ser mais uma fotografia...". E pensando melhor... Devia era apanhar o eléctrico 15 (sem poder usar o passe, claro) e ir eu próprio até Santo Amaro (que fica entre o cu de Judas e Nossa Senhora do Nunca Mais lá Chego). Fui-me embora. Quando descansar, vou tentar de novo.
16 de maio de 2005
ITÁLIA
Portugal como tema do festival literário PASSPARTOUT, de Asti. Vários escritores portugueses por ali passaram, dando uma panorâmica da literatura portuguesa actual aos italianos.
Pessoa musicado e cantado sob abóbadas centenárias e casas cheias para ouvir falar de livros estrangeiros.
Mais ou menos o que acontece por cá...
Portugal como tema do festival literário PASSPARTOUT, de Asti. Vários escritores portugueses por ali passaram, dando uma panorâmica da literatura portuguesa actual aos italianos.
Pessoa musicado e cantado sob abóbadas centenárias e casas cheias para ouvir falar de livros estrangeiros.
Mais ou menos o que acontece por cá...
12 de maio de 2005
COMENTADOR FUTURISTA
O pobre do Luís Delgado lá estava, na Sic Notícias, a dizer com ar aflito "que achava estranho que o Ministério Público andasse a investigar as decisões tomadas pelo anterior governo, aquando da dissolução da A. R.". Que não seria costume. Uma mania inesperada...
Tive pena do seu ar de passarinho desasado... Por momentos até me esqueci que os milhares de contos que leva para casa por mês se devem a uma certa... proximidade com a coisa ida.
Ele que não fique aflito com tanta investigação ao poder económico. Primeiro, porque não dará em nada. Os polícias estão só a demonstrar trabalho, mas os juizes não são malucos para se irem meter com quem lhes pode fazer a carreira difícil. E depois... ainda ninguém mencionou o grupo PT.
Por enquanto, é claro.
O pobre do Luís Delgado lá estava, na Sic Notícias, a dizer com ar aflito "que achava estranho que o Ministério Público andasse a investigar as decisões tomadas pelo anterior governo, aquando da dissolução da A. R.". Que não seria costume. Uma mania inesperada...
Tive pena do seu ar de passarinho desasado... Por momentos até me esqueci que os milhares de contos que leva para casa por mês se devem a uma certa... proximidade com a coisa ida.
Ele que não fique aflito com tanta investigação ao poder económico. Primeiro, porque não dará em nada. Os polícias estão só a demonstrar trabalho, mas os juizes não são malucos para se irem meter com quem lhes pode fazer a carreira difícil. E depois... ainda ninguém mencionou o grupo PT.
Por enquanto, é claro.
11 de maio de 2005
RETRATO DE UM HOMEM SÉRIO
Estou a precisar de ganhar dinheiro. Acho que me vou inscrever no CDS-PP. Ponho o ar mais honesto e severo deste mundo, grito contra as mulheres que fazem abortos em vez de encherem periodicamente o bucho e arranjo um tacho num ministério qualquer.
Ah: e mando abater sobreiros para que o Espírito Santo se mostre agradecido.
Estou a precisar de ganhar dinheiro. Acho que me vou inscrever no CDS-PP. Ponho o ar mais honesto e severo deste mundo, grito contra as mulheres que fazem abortos em vez de encherem periodicamente o bucho e arranjo um tacho num ministério qualquer.
Ah: e mando abater sobreiros para que o Espírito Santo se mostre agradecido.
9 de maio de 2005
REINO DOS CÉUS
O último filme do Ridley Scott (fraquito, cinematograficamente falando...) remete-nos para a questão: o que mudou em mil anos. Basta abrir o televisão para vermos que só as bombas se tornaram mais sofisticadas e as setas são disparadas de um cano de aço. Continuamos a bater-nos, literalmente, pela ideia da criação de um reino sagrado, na Terra, só poderá ser governado por um Deus totalitário.
O último filme do Ridley Scott (fraquito, cinematograficamente falando...) remete-nos para a questão: o que mudou em mil anos. Basta abrir o televisão para vermos que só as bombas se tornaram mais sofisticadas e as setas são disparadas de um cano de aço. Continuamos a bater-nos, literalmente, pela ideia da criação de um reino sagrado, na Terra, só poderá ser governado por um Deus totalitário.
6 de maio de 2005
O CAMINHO MENOS PERCORRIDO
Dou por mim a lançar às audiências o mesmo discurso, cada vez mais insistente: não acreditem. Nas escolas, nos locais de conferência, por escrito. A mesma imagem das ovelhas alienadas; o caminhar confiante delas a caminho do matadouro; os seus balidos de desconfiança a quem lhes diz "fujam". Não acreditem no que se diz nas televisões, leiam os jornais com a reserva de quem sabe estar em mãos afiadas para a tosquia das gentes. Pensem. Leiam livros escritos há muito tempo, filtrados pela História. Não condenem automaticamente o que vos dizem para condenar, não obedeçam sem reflectir. A Alienação existe. E é sempre mais forte do que a nossa capacidade de avaliar.
Nossa Senhora só aparece às futuras freiras e a crianças mortas. Um apresentador de telejornal pensa na prestação da casa que cairá a 30 do corrente antes de enfiar a cara séria. O homem de meia-idade que condena o comportamento irregular do vizinho passa todos os domingos os olhos pelo rabo da empregada de pastelaria que o serve em família; algumas vezes tem no seu telemóvel o número de uma voz mais nova e nem por isso mais fresca com que se esfregará, apressado, se ela deixar.
Digo: "Não acreditem", e ouço ao fundo a minha própria televisão. Thank God que só o gato a mira, mais interessado na mosca que insiste em esvoaçar diante dos rodapés dramáticos.
Dou por mim a repetir tudo isto, insistentemente. Para quê?... Se as ovelhas mal sentem o ferro que lhes abrirá o crânio?
Dou por mim a lançar às audiências o mesmo discurso, cada vez mais insistente: não acreditem. Nas escolas, nos locais de conferência, por escrito. A mesma imagem das ovelhas alienadas; o caminhar confiante delas a caminho do matadouro; os seus balidos de desconfiança a quem lhes diz "fujam". Não acreditem no que se diz nas televisões, leiam os jornais com a reserva de quem sabe estar em mãos afiadas para a tosquia das gentes. Pensem. Leiam livros escritos há muito tempo, filtrados pela História. Não condenem automaticamente o que vos dizem para condenar, não obedeçam sem reflectir. A Alienação existe. E é sempre mais forte do que a nossa capacidade de avaliar.
Nossa Senhora só aparece às futuras freiras e a crianças mortas. Um apresentador de telejornal pensa na prestação da casa que cairá a 30 do corrente antes de enfiar a cara séria. O homem de meia-idade que condena o comportamento irregular do vizinho passa todos os domingos os olhos pelo rabo da empregada de pastelaria que o serve em família; algumas vezes tem no seu telemóvel o número de uma voz mais nova e nem por isso mais fresca com que se esfregará, apressado, se ela deixar.
Digo: "Não acreditem", e ouço ao fundo a minha própria televisão. Thank God que só o gato a mira, mais interessado na mosca que insiste em esvoaçar diante dos rodapés dramáticos.
Dou por mim a repetir tudo isto, insistentemente. Para quê?... Se as ovelhas mal sentem o ferro que lhes abrirá o crânio?
4 de maio de 2005
TEATRO
Já tentaram montar uma peça de forma legal, em Lisboa? Fora de um teatro? É extraordinário o percurso a fazer, as licenças que ninguém da Cãmara fazia ideia serem necessárias, o absurdo e o custos das mesmas. Tudo leva ao desânimo ou à batota. A mesma que fazem connosco, os cidadãos, diariamente. Cultura? Não sabem o que seja... Ainda se fossem sardinhas psicadélicas para o Santo António, ou algum espectáculo dos Abba. E não se lhes está a pedir dinheiro para nada...
Oh, valha-me Deus!
Já tentaram montar uma peça de forma legal, em Lisboa? Fora de um teatro? É extraordinário o percurso a fazer, as licenças que ninguém da Cãmara fazia ideia serem necessárias, o absurdo e o custos das mesmas. Tudo leva ao desânimo ou à batota. A mesma que fazem connosco, os cidadãos, diariamente. Cultura? Não sabem o que seja... Ainda se fossem sardinhas psicadélicas para o Santo António, ou algum espectáculo dos Abba. E não se lhes está a pedir dinheiro para nada...
Oh, valha-me Deus!
REFERENDUM
Todas as estatísticas apontam para uma maioria de portugueses favorável à lei da despenalização do aborto. Se apenas votassem mulheres em idade fértil, essa maioria seria ainda maior. Agora, os encolhidos que nos governam, mais preocupados com eleições do que com a vida das mulheres, acenaram com um referendo. Adiado para as calendas. Até lá, restam as clínicas privadas portuguesas para as mais endinheiradas e as londrinas, para as mulheres dos militantes do cds e do psd.
SE isto fosse um país de gente com vontade e não um redil de ovelhas, o que estaria a ser pedido seria a aprovação imediata da lei pela maioria de esquerda. E as mulheres estariam na rua, a gritarem-no alto.
Assim, fazem delicadamente o jogo dos que não brincam em serviço para manter o mundo na sua medievalidade.
Todas as estatísticas apontam para uma maioria de portugueses favorável à lei da despenalização do aborto. Se apenas votassem mulheres em idade fértil, essa maioria seria ainda maior. Agora, os encolhidos que nos governam, mais preocupados com eleições do que com a vida das mulheres, acenaram com um referendo. Adiado para as calendas. Até lá, restam as clínicas privadas portuguesas para as mais endinheiradas e as londrinas, para as mulheres dos militantes do cds e do psd.
SE isto fosse um país de gente com vontade e não um redil de ovelhas, o que estaria a ser pedido seria a aprovação imediata da lei pela maioria de esquerda. E as mulheres estariam na rua, a gritarem-no alto.
Assim, fazem delicadamente o jogo dos que não brincam em serviço para manter o mundo na sua medievalidade.
30 de abril de 2005
RESULTADOS ICAM
Já saiu a lista com os 3 filmes escolhidos pelo júri do ICAM. Os sorteados com 130.000 contos são: Miguel Gomes, Fernando Fragata e Catarina Ruivo.
Não vi o ANDRÉ VALENTE, desta última, não posso avaliar (claro que não sou surdo e já ouvi comentários, mas não vi o filme), mas quanto aos outros dois... Deus nos acuda!
A parte boa do concurso é que não vamos ter de aturar nenhum filme do José Carlos Oliveira. Ao menos isso.
A única coisa que posso dizer aos que desesperam... será: peguem nos computadores e escrevam; peguem nas mini-dvs e filmem. Pior não hão-de fazer.
Já saiu a lista com os 3 filmes escolhidos pelo júri do ICAM. Os sorteados com 130.000 contos são: Miguel Gomes, Fernando Fragata e Catarina Ruivo.
Não vi o ANDRÉ VALENTE, desta última, não posso avaliar (claro que não sou surdo e já ouvi comentários, mas não vi o filme), mas quanto aos outros dois... Deus nos acuda!
A parte boa do concurso é que não vamos ter de aturar nenhum filme do José Carlos Oliveira. Ao menos isso.
A única coisa que posso dizer aos que desesperam... será: peguem nos computadores e escrevam; peguem nas mini-dvs e filmem. Pior não hão-de fazer.
28 de abril de 2005
A COSTUMEIRA CRÓNICA DO INDIE
Malgré a transferência forçada para o F. Lisboa, e a respectiva extensão às 3 salas do King, o festival soma e segue. Com as sessões permanentemente esgotadas vai a caminho de um novo recorde de espectadores. Levassem as kinguianas salitas mais e os números seria ainda mais interessantes. Afinal, nem tudo está perdido no país das pipocass.
Uma das coisas mais comoventes de ver é a forma como os novos realizadores, quando são bons, reagem ao elogio da obra. É uma coisa à... "Tá bem, pronto! Olha, fiz o melhor que sabia para os poucos meios que tinha". E isso é bom.
O oposto se passa com os mais fracos. Perante a mitigada recepção do seu trabalho, frequentemente passam à defesa. Life's tough!
No Lux, até às quinhentas, falou-se (ou antes, gritou-se) sobre cinema, países de origem e país de acolhimento. Um festival também se faz deste ambiente. O pior é o dia seguinte... Por falar nisso, não sei onde pára o Gurosan...
Malgré a transferência forçada para o F. Lisboa, e a respectiva extensão às 3 salas do King, o festival soma e segue. Com as sessões permanentemente esgotadas vai a caminho de um novo recorde de espectadores. Levassem as kinguianas salitas mais e os números seria ainda mais interessantes. Afinal, nem tudo está perdido no país das pipocass.
Uma das coisas mais comoventes de ver é a forma como os novos realizadores, quando são bons, reagem ao elogio da obra. É uma coisa à... "Tá bem, pronto! Olha, fiz o melhor que sabia para os poucos meios que tinha". E isso é bom.
O oposto se passa com os mais fracos. Perante a mitigada recepção do seu trabalho, frequentemente passam à defesa. Life's tough!
No Lux, até às quinhentas, falou-se (ou antes, gritou-se) sobre cinema, países de origem e país de acolhimento. Um festival também se faz deste ambiente. O pior é o dia seguinte... Por falar nisso, não sei onde pára o Gurosan...
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